O disjuntor desarmando com frequência é um sinal de que existe alguma condição anormal no circuito elétrico. Embora muitas pessoas considerem o desarme um problema, na realidade, essa é uma das principais funções do disjuntor: interromper automaticamente a corrente quando identifica uma sobrecarga ou uma situação de curto-circuito, ajudando a proteger os condutores e a instalação.
A ABNT NBR 5410 estabelece que os condutores devem contar com proteção contra sobrecargas e curtos-circuitos, justamente para evitar que uma sobrecorrente provoque efeitos perigosos, como aquecimento excessivo dos cabos e danos à isolação.
Mas afinal, por que o disjuntor desarma? A seguir, você vai conhecer as principais causas e entender quando é necessário procurar um profissional.
O que significa quando o disjuntor desarma?
O disjuntor é um dispositivo de proteção instalado no circuito elétrico. Quando a corrente ultrapassa determinados limites, ele interrompe automaticamente o fornecimento de energia.
Nos disjuntores termomagnéticos, essa proteção acontece principalmente de duas formas:
- Proteção térmica: atua diante de uma sobrecarga, quando o circuito permanece conduzindo uma corrente acima da capacidade adequada.
- Proteção magnética: atua rapidamente diante de correntes muito elevadas, como em um curto-circuito.
Por isso, quando um disjuntor desarma, não é recomendado simplesmente religá-lo repetidamente sem investigar a causa.
1. Sobrecarga no circuito
Uma das causas mais comuns de disjuntor desarmando é a sobrecarga.
Ela acontece quando vários equipamentos são utilizados simultaneamente em um circuito que não foi dimensionado para suportar aquela demanda de corrente.
Por exemplo: ligar chuveiro elétrico, secadora, forno elétrico ou outros equipamentos de alta potência em um mesmo circuito pode fazer a corrente ultrapassar o limite previsto.
Quando isso acontece, o disjuntor pode aquecer e atuar para interromper o circuito. A sobrecarga é apontada como uma das principais causas de desarmes frequentes.
O que fazer?
Evite ligar vários equipamentos de alta potência simultaneamente no mesmo circuito e procure um profissional para verificar se o dimensionamento da instalação está adequado.
2. Curto-circuito
Outra causa importante é o curto-circuito.
Ele ocorre quando existe uma conexão elétrica indevida que provoca uma corrente muito elevada em um intervalo muito curto. Isso pode acontecer, por exemplo, devido a problemas na fiação, equipamentos danificados ou contato inadequado entre condutores.
Nesse caso, o disjuntor pode atuar rapidamente para interromper a corrente e limitar os riscos à instalação.
Se o disjuntor desarma imediatamente após ser religado, principalmente quando determinado equipamento é ligado, pode existir uma falha que precisa ser investigada.
Atenção: não tente manter o disjuntor ligado à força e não substitua o dispositivo por outro de maior corrente sem avaliar toda a instalação.
3. Equipamento elétrico com defeito
O problema nem sempre está no quadro elétrico. Um aparelho com defeito também pode provocar o desarme do disjuntor.
Motores, ferramentas elétricas, eletrodomésticos e outros equipamentos podem apresentar problemas internos que elevam a corrente ou provocam uma falha no circuito.
Uma forma de perceber essa possibilidade é observar se o disjuntor desarma sempre que determinado equipamento é conectado ou ligado.
Nesse caso, interrompa o uso do equipamento e procure assistência técnica ou um eletricista para identificar a origem do problema.
4. Fiação ou conexões inadequadas
Conexões frouxas, oxidação, condutores inadequados ou problemas nos terminais também podem provocar aquecimento excessivo e contribuir para o desarme do disjuntor.
As conexões mal apertadas podem aumentar a resistência elétrica no ponto de conexão e gerar calor. Condutores com seção inferior à necessária também podem apresentar aquecimento excessivo.
Por isso, não basta analisar apenas o disjuntor. É importante verificar todo o circuito: cabos, conexões, tomadas, quadro elétrico e equipamentos ligados à instalação.
5. Disjuntor inadequado ou mal dimensionado
O dimensionamento correto é fundamental para a segurança da instalação.
Um disjuntor não deve ser escolhido simplesmente pelo número de amperes. É necessário considerar características como:
- corrente do circuito;
- potência das cargas;
- seção dos condutores;
- tipo de instalação;
- características dos equipamentos;
- capacidade de interrupção;
- curva de atuação, quando aplicável.
A escolha inadequada do disjuntor pode resultar em atuações frequentes e o dimensionamento do dispositivo deve estar coordenado com os condutores e as características da carga.
Importante: colocar um disjuntor de maior amperagem para impedir que ele desarme pode ser perigoso se os cabos e demais componentes não forem dimensionados para a nova corrente.
6. Corrente de partida de motores
Alguns equipamentos, principalmente aqueles que utilizam motores elétricos, podem apresentar uma corrente elevada no momento da partida.
Dependendo das características do motor e do disjuntor utilizado, esse pico pode provocar o desarme.
Por isso, aplicações com motores precisam considerar as características da carga e a curva de atuação adequada do dispositivo de proteção.
Esse é um dos motivos pelos quais não existe um único tipo de disjuntor ideal para todas as aplicações.
7. Disjuntor danificado ou desgastado
Embora seja menos comum, o próprio disjuntor também pode apresentar problemas.
Componentes internos desgastados, contatos danificados ou problemas provocados por aquecimento podem comprometer seu funcionamento.
Por isso é recomendado considerar a possibilidade de falha do próprio disjuntor depois que outras causas, como sobrecarga, conexões e problemas no circuito, forem descartadas.
Nesse cenário, a substituição deve ser feita por um profissional qualificado e pelo dispositivo correto para aquela instalação.
Como saber por que o disjuntor está desarmando?
Uma informação importante é quando o desarme acontece.
O disjuntor desarma depois de algum tempo?
Pode indicar uma sobrecarga ou aquecimento no circuito.
O disjuntor desarma imediatamente?
Pode estar relacionado a um curto-circuito, falha no equipamento ou outra condição de corrente elevada.
Observe justamente se o desarme acontece na partida ou depois de algum tempo de funcionamento, pois esse comportamento pode ajudar a identificar se a atuação está relacionada à proteção magnética ou térmica.
Posso simplesmente religar o disjuntor?
Se o disjuntor desarmou, o mais importante é identificar a causa antes de ficar religando repetidamente.
Em instalações elétricas, insistir no religamento sem investigar uma falha pode aumentar o risco de danos aos componentes e à instalação. A causa do desarme deve ser identificada e eliminada antes de o disjuntor ser religado.
Se houver cheiro de queimado, tomadas ou cabos aquecidos, faíscas, fumaça ou desarme recorrente, desligue o circuito e procure um profissional habilitado.
Como evitar que o disjuntor desarme com frequência?
Alguns cuidados ajudam a reduzir problemas na instalação elétrica:
- Evite sobrecarregar tomadas e circuitos.
- Não utilize vários equipamentos de alta potência no mesmo circuito sem verificar o dimensionamento.
- Utilize cabos com seção adequada à instalação.
- Escolha o disjuntor de acordo com o circuito e a carga.
- Faça inspeções periódicas na instalação elétrica.
- Fique atento a tomadas, plugues e conexões que apresentem aquecimento.
- Não substitua um disjuntor por outro de maior corrente sem análise técnica.
- Ao identificar desarmes frequentes, procure um eletricista qualificado.
Disjuntor desarmando: quando chamar um eletricista?
Se o disjuntor continua desarmando, mesmo depois de retirar alguns equipamentos da tomada, ou se ele desarma imediatamente ao ser religado, o ideal é não tentar solucionar o problema sozinho.
Um profissional poderá avaliar o circuito, medir a corrente, verificar os condutores, conexões, equipamentos e o próprio dispositivo de proteção.
O desarme frequente não deve ser tratado apenas como um incômodo. Ele pode ser o sinal de que existe uma condição que precisa ser corrigida na instalação elétrica.
Conclusão
Um disjuntor desarmando pode ter diferentes causas, desde uma simples sobrecarga até problemas mais sérios, como curto-circuito, falhas em equipamentos, conexões inadequadas ou dimensionamento incorreto.
O mais importante é entender que o disjuntor está cumprindo uma função de proteção. Em vez de simplesmente tentar impedir que ele desarme, é necessário descobrir por que ele está atuando.
Para instalações elétricas seguras, conte sempre com materiais adequados e, quando houver dúvidas ou falhas recorrentes, procure um profissional qualificado.
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